Fáfia Guterres (século XII)

Fáfia Guterres (Fáfia porque se se dissesse Fafia os seus descendentes seriam Fafizes ou Fafezes e não Fafes como de facto foram) terá vivido em finais do século XI e na primeira metade do século XII, mais ou menos ao tempo do Conde D. Henrique e de D. Teresa e ainda do de D. Afonso Henriques. Ainda vivia em 1151 e era um senhor. Nessa data, com outros, fez um documento ao Mosteiro da Junqueira… Mas foi ele o principal doador.

Segundo Sérgio Lira, terá sido filho de D. Guterres (os Lourenços da Cunha, que criaram a Quinta de Cunha, são também descendentes do mesmo).

 Transcrevemos agora uma extensa citação do livro de Sérgio Lira Mosteiro de S. Simão da Junqueira - I, página 78:

Outro grupo familiar que vemos ter relação com a instituição  (Mosteiro de S. Simão da Junqueira) é o constituído pelos descendentes de Paio e Fafia Guterres. Não temos qualquer prova de relação familiar entre eles, mas a cronologia das suas referências documentais, a igualdade do patronímico, a região geográfica onde transaccionam propriedades e a relação patronal com o mosteiro levam a admitir que tenham sido irmãos. De facto, já em 1151 encontramos um Fafia G. num documento em que é designado, entre outros, como patrono do mosteiro. Supomos não errar desdobrando essa abreviatura em Guterres, uma vez que o encontramos citado em 1084 como testemunha do acto de Soeiro Rouco, que já referimos. Encontrá-lo-emos, novamente, referido em documento de 1167 e, depois em 1180, sempre explicitamente como ascendente de patronos do cenóbio.

O documento mais antigo que menciona D. Fáfia Guterres fala de Gacim e do Mosteiro da Junqueira (vem de 1084).

 

Um raro momento exemplar em Cavaleiros

 Em 9 de Outubro de 1167, os filhos de Fáfia Guterres uniram-se para fazer um importante documento, que se intitula “partilha que fizeram Soeiro Fafes, Mor Fafes com o seu marido Pedro Pais, e Martinho Fafes, Pedo Fafes, Nuno Fafes, filhos de Fáfia Guterres”. Na verdade, o documento é antes um compromisso sobre o que tinham partilhado.
Nos documentos que conhecemos das sucessivas gerações de Cavaleiros, abundam actos condenáveis, por isso é muito de louvar este tão exemplar. Estabeleceram eles:

"Em nome de Deus.

Eu, Soeiro Fafes e Mor Fafes, juntamente com o meu marido Pedro Pis, e Martinho Fafes, e Pedro Fafes e Nuno Fafes fazemos um acordo, por nossa boa vontade, sobre toda a herança que nos vem de nosso pai Fáfia Guterres, que partimos, par que a nossa partilha seja firmíssima e um não entre no outro, nem alargue, mas que seja estável pelos séculos dos séculos; e, se um de nós violar este acordo, pague quinhentos soldos

Acordo feito em 9 de Outubro de 1167.

Eu Soeiro Fafes e Mor Fafes com o meu marido Pedro Pais, e Martinho Fafes, e Pedro Fafes, e Nuno Fafes assinamos este acordo.

E se algum homem vier de parte alheia contra um de nós e invadir o seu quinhão, venham todos os outros irmãos em defesa dele para se poder defender. Cada um fique com o seu quinhão. Mas se não puderem defender, cada um, do seu quinhão, ao quinhão invadido até ele ter igualdade.

Arcediago Dom Aires testemunha, Afonso Testemunha, Paio Testemunha.

Pedro escreveu".

 

Soeiro Fafes em Ferreiró

Nas Inquirições de 1220, nos Foros e Dádivas, ao falar de Ferreiró, informa-se que “há lá um casal de que costumavam dar outro tanto (como certas propriedades já mencionadas) e entrava aí o mordomo. E comprou-o o cavaleiro Soeiro Fafes e depois nada mais deram dele nem entra lá o mordomo porque o cavaleiro D. Romeu matou um e Martinho Mouro outro e depois os mordomos não ousaram mais lá entrar”.

Estes D. Romeu e Martinho Mouro deviam ser familiares de Soeiro Fafes, o filho de D. Fáfia Guterres. Tais bravatas de nobres eram então bastante comuns. 
Ferreiró foi quase na totalidade terra de Cavaleiros.

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