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 A inquirição de 1258 afirma que a paróquia de São Martinho do Outeiro ”é honra dos Cavaleiros, desde antigamente, da família de Fáfia Guterres”. Como este cavaleiro vinha ainda do século XI e tinha falecido por volta de 1150, o seu nome destacava-se como o de um fundador. Presume-se que fosse irmão daquele Paio Guterres a quem D. Afonso Henriques pôs couto na Junqueira. Fáfia Guterres e os seus descendentes poderão ter sido cavaleiros templários. De facto, parece que eles deixaram de ser cavaleiros quando a Ordem Templária foi extinta. Mais tarde voltaram a sê-lo. À casa ficou definitivamente associado o nome de Cavaleiros. Alguma razão há-de ter havido para isso.  Durante lá para nove séculos, ela foi a casa nobre mais rica e antiga em largas redondezas. Se há algumas certezas sobre Fáfia Guterres, há muitas dúvidas sobre os Cavaleiros que lhe foram sucedendo até meados do século XIV. A partir daí estão bem identificados. Eu passei muito tempo no Outeiro Maior e ainda lá vou...

Fáfia Guterres (século XII)

Fáfia Guterres (Fáfia porque se se dissesse Fafia os seus descendentes seriam Fafizes ou Fafezes e não Fafes como de facto foram) terá vivido em finais do século XI e na primeira metade do século XII, mais ou menos ao tempo do Conde D. Henrique e de D. Teresa e ainda do de D. Afonso Henriques. Ainda vivia em 1151 e era um senhor. Nessa data, com outros, fez um documento ao Mosteiro da Junqueira… Mas foi ele o principal doador. Segundo Sérgio Lira, terá sido filho de D. Guterres (os Lourenços da Cunha, que criaram a Quinta de Cunha, são também descendentes do mesmo).  T ranscrevemos agora uma extensa citação do livro de Sérgio Lira  Mosteiro de S. Simão da Junqueira - I , página 78: Outro grupo familiar que vemos ter relação com a instituição  (Mosteiro de S. Simão da Junqueira)  é o constituído pelos descendentes de Paio e Fafia Guterres. Não temos qualquer prova de relação familiar entre eles, mas a cronologia das suas referências documentais, a igualdade...

As vilas de São Martinho do Outeiro

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Pelos séculos X a XIII, cá no Norte de Portugal, vila podia significar a vila urbana, como actualmente, mas também a vila rústica, uma farta casa de lavoura. A vila rústica distinguia-se pelo seu “paço”, que era a casa propriamente dita; nele vivia o “senhor” da vila.   Em rigor, os documentos só autorizam a falar nas três vilas assinaladas a negro, mas as restantes três casas foram também importantes. A Honra de Cavaleiros era uma instituição de natureza diferente e abarcava toda a freguesia.   Por este tempo, os documentos registam repetidamente em São Martinho do Outeiro três vilas: Gacim, Outeiro e Fornelos. As casas de Quintandura, Friães são também repetidamente nomeadas; Santo Isidro (Santeziro, em 1287, Santo Gido, hoje) é mencionada apenas uma vez. Mas não como vilas. A Honra de Cavaleiros era uma instituição de outra natureza e acabaria por subordinar a si toda a freguesia. Na vizinha freguesia de Bagunte assinalam-se quase dez vilas.   ...

Senhores de Cavaleiros

A Casa de Cavaleiros há-de ter chegado a ser muito ampla pois parece terem vivido la várias famílias e foi com certeza reconstruída várias vezes, mesmo que só tenhamos notícia de duas reconstruções. Na história da família, há o período da ligação dos Cavaleiros ao Mosteiro da Junqueira, que foi o tempo dos descendentes de Fáfia Guterres e dos Ferreiras; há depois o período da sua ligação ao Convento de São Francisco, que corresponde sensivelmente ao séc. XVI; os Cavaleiros passam então a ser conhecidos como Ferreiras d’Eça. Em finais do séc. XVI, vão para Guimarães, onde se mantêm, com algumas intermitências, até meados do séc. XVIII. Os Cavaleiros posteriores, condes a partir do começo do séc. XIX, viverão em paragens variadas. Até ao séc. XV, a principal fonte de informação para esta casa são os documentos do cartulário do Mosteiro da Junqueira (em parte publicados por Sérgio Lira) e um trabalho genealógico de Manuel Abranches de Soveral; depois, passa a ser o Nobiliário das Famíli...

Testamento do Cavaleiro Martim Pires (1289)

NOTA BIOGRÁFICA SOBRE MARTINHO PERES OU MARTIM PIRES   Martinho Peres ou Martim Pires já estava casado em 1244. Deve por isso ter nascido antes de 1215. Como fez testamento em 1289, pode ter morrido no ano seguinte com 75 a 80 anos. Foi ele que comprou a Torre de Cavaleiros ao irmão. Pelo testamento e por muitos outros documentos que dele nos chegaram, vê-se que era um homem muito rico, com propriedades em muitos e distantes lugares. Cavaleiros não teria tido homem tão importante desde de Fáfia Guterres. Em seu tempo, houve as inquirições de D. Afonso II, em 1220, as de D. Afonso III, em 1258, e as de D. Dinis em 1283. Estas últimas deram a primeira machadada na Honra de Cavaleiros. Martinho Peres ou Martim Pires foi cavaleiro e deve ter participado em algumas batalhas. Esteve muito provavelmente no cerco e tomada de Sevilha. Este Cavaleiro teve filhos fora do casamento e roubou de diversos modos. Mas houve então outros poderosos, bem seus conhecidos, que roubaram ainda mais. Cons...

Doação feita por Estêvão Ferreira ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira (1375)

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  O importante documento que se transcreve abaixo e que garante a doação feita por Estêvão Ferreira em 1375 ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira não é desconhecido dos estudiosos (nem na Internet). Os Cavaleiros do Outeiro Maior, em termos genealógicos, começaram bem: basta lembrar D. Fáfia Guterres e seus antepassados próximos, que foram pessoas de alto estatuto. Depois parece não o terem conseguido manter: ao que se sabe, não ocorrem nos Livros de Linhagens e a este Estêvão Ferreira (houve outros) não é atribuído aqui o tratamento de dom: é um escudeiro. Mas não é um escudeiro qualquer: a sua doação é feita na cidade do Porto e testemunhada por gente categorizada. Aliás, este Cavaleiro parece marcou muito positivamente a história da família.   Doação que fizeram Estêvão Ferreira, escudeiro, e sua mulher, Mor Martins, ao Mosteiro de S. Simão da Junqueira do casal e meio de Chantada e casal Gontinho com obrigação de umas missas cantadas cada ano  Em nome de Deus, amém. Sa...

Testamento de Rui Gomes, do Casal de Cavaleiros, em que manda ser enterrado no Mosteiro de São Simão de entre Ave e Este e lhe deixa dois morabitinos com obrigação de uma missa oficiada cada ano pelo dia que ele fosse enterrado (1341).

Em nome de Deus, amém, e da Virgem Santa Maria, sua Mãe. Eu, Rui Gomes, do Casal, Escudeiro, jazendo doente em meu siso e em meu entendimento, temendo o dia do juízo, dou a minha alma a Deus e à Virgem Santa Maria, sua Mãe, que me haja dela mercê. E mando o meu corpo ser soterrado em São Simão de entre Ave e Este e mando comigo ao Mosteiro de São Simão, para sempre, dois morabitinos velhos, um ao celeiro e outro ao convento, e que me digam uma missa oficiada por aquele dia que for soterrado em cada um ano. Item, mando que deixem tanta da minha herdade que o dito mosteiro e convento hajam os ditos dois morabitinos em cada um ano; e esta herdade por que se houverem de pagar os dois morabitinos, tenha-a Estêvão Ferreira ou Constança Gomes, minha irmã, e qual deles primeiro sair fique ao outro paguem os ditos dois morabitinos. Item, mando a Estêvão Ferreira que venda todas as coisas que eu hei, assim móveis como raiz, e pague todas as dívidas que eu devo; e desde que for tudo pago,...