Testamento de Rui Gomes, do Casal de Cavaleiros, em que manda ser enterrado no Mosteiro de São Simão de entre Ave e Este e lhe deixa dois morabitinos com obrigação de uma missa oficiada cada ano pelo dia que ele fosse enterrado (1341).
Em nome de Deus, amém, e da Virgem Santa Maria, sua Mãe.
Eu, Rui Gomes, do
Casal, Escudeiro, jazendo doente em meu siso e em meu entendimento, temendo o
dia do juízo, dou a minha alma a Deus e à Virgem Santa Maria, sua Mãe, que me
haja dela mercê.
E mando o meu corpo
ser soterrado em São Simão de entre Ave e Este e mando comigo ao Mosteiro de
São Simão, para sempre, dois morabitinos velhos, um ao celeiro e outro ao
convento, e que me digam uma missa oficiada por aquele dia que for soterrado em
cada um ano.
Item, mando que
deixem tanta da minha herdade que o dito mosteiro e convento hajam os ditos
dois morabitinos em cada um ano; e esta herdade por que se houverem de pagar os
dois morabitinos, tenha-a Estêvão Ferreira ou Constança Gomes, minha irmã, e
qual deles primeiro sair fique ao outro paguem os ditos dois morabitinos.
Item, mando a
Estêvão Ferreira que venda todas as coisas que eu hei, assim móveis como raiz,
e pague todas as dívidas que eu devo; e desde que for tudo pago, mando que o
mais que ficar que o dêem por minha alma e pela do meu pai e que haja o dito
Estêvão Ferreira e Constança Gomes, minha irmã, os ditos bens tanto por tanto.
Item, mando que
dêem cinquenta libras a Teresa, minha filha, e mando isto se faça pelo meu
haver, e não por mais, e os de Estêvão Ferreira ser a salvo os seus bens; e
para isto deixo por meu testamenteiro o dito Estêvão Ferreira, que cumpra isto
eu mando.
Item, mando que
todos aqueles que forem de boa fama e fizerem verdade aos Santos Evangelhos que
lhes eu alguma cousa devia, que lho paguem, se houver por onde.
Testemunhas a isto
presentes:
Martim Fernandes,
escudeiro da Maia, e
Martim Geraldes,
cónego do dito Mosteiro de São Simão, e
Estêvão Moniz,
escudeiro
Vasco Rodrigues e
Domingos Martins
Cincão e
Estêvão Martins,
moradores no Casal, e
Domingos André,
morador em Fornelos, e outros.
Do qual testamento
Aparício Peres, Prior do dito mosteiro, pediu o treslado.
Testemunhas
sobreditas.
Feito foi no Casal
de Cavaleiros, dezasseis dias de Maio de mil trezentos e setenta e nove anos (1341).
E eu, António
Esteves, tabelião de El-Rei na terra de Faria, este treslado do dito
instrumento escrevi e aí fiz o meu sinal, que tal é.
Lugar do sinal
público.
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