Venda da Quinta de Cavaleiros (1894)

O terceiro Conde de Cavaleiros, D. Rodrigo José de Menezes de Eça, faleceu a 23 de Maio de 1881. Pouco mais de uma dúzia de anos depois, em 1894, a sua quinta outeirense, que pertencera à família perto dum milénio, foi posta à venda.

Segundo o jornal poveiro Estrela Povoense, a arrematação foi marcada para 23 de Setembro:

Arrematação da Quinta de Cavaleiros

No dia 23 do corrente, pelas 11 horas da manha, será arrematada, no tribunal de Vila do Conde, a importante – Quinta dos Condes de Cavaleiros – sita nas freguesias do Outeiro Maior e Bagunte, da mesma comarca, a 8 quilómetros desta vila, com boas estradas de comunicação até à porta; a qual quinta se compõe de casas de dois andares, capela, celeiros, pomares, terras de lavradio, com árvores de vinho e fruta e com abundantes águas de várias nascentes, etc.

 


Anúncio da arrematação da Quinta de Cavaleiros em 1894.

 

A seguir enumeravam-se as parcelas de que se compunha a quinta: um Souto, a Mata do Penedo, o Sobreiro de Fora, a Mata do Cerco, o Casal do Amaral e o Casal do Pinheiro. A maior parte destas parcelas ficava em área de Bagunte. Na Mata do Cerco, por exemplo, estava a Capela de Nossa Senhora das Neves.

Quem adquiriu a propriedade acabou por ser o Barão de Averomar.

Quando se afirmava que a quinta possuía “boas estradas de comunicação até à porta”, devia-se estar a pensar na rua que atravessava os casais do Amaral e do Pinheiro. É uma rua relativamente estreita, pois foi criada para uso particular, com uma recta de cerca de um quilómetro que vinha ter bem ao interior de Bagunte onde se abria um portão nos muros que envolviam as propriedades.

Esse portão deve ter sido coisa vistosa, com um grande e bem lavrado lintel onde constava o nome da quinta – Quinta de Cavaleiros – e uma data. Dele resta hoje apenas a parte central que alguém teve o bom senso de encaixar no muro junto de onde se abria o portão. A data parece dizer 1708.

No Arquivo Municipal de Vila do Conde conserva-se volumoso dossier sobre as propriedades de Cavaleiros postas à venda pela viúva do terceiro Conde.

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