Estêvão Ferreira de Eça (segunda metade do século XVI)

.Estêvão Ferreira de Eça, senhor de Cavaleiros, “fidalgo da Casa d’El-Rei, nosso Senhor”, teve “casas de pousada” em Vila do Conde e era senhor da Casa de Cavaleiros no Outeiro Maior.

A primeira notícia que conhecemos dele vem de 1566. Devia ser então bastante jovem; era com certeza solteiro e em breve ficaria órfão. A sua tia Catarina Pereira perfilhou-o em 1569.

 


Convento de S. Francisco onde foi sepultado Estêvão Ferreira de Eça, os seus pais e a filha sua herdeira e respectivo marido. Estêvão Ferreira de Eça e a sua tia Catarina Pereira construíram a capela que vê à direita de fotografia, a que tem ameias e o brasão dos Cavaleiros.

 

No mencionado ano de 1566, esta sua familiar e ele mandaram fazer uma capela na igreja do Convento de S. Francisco de Vila do Conde. É a que tem ameias e no exterior o brasão de Estêvão Ferreira de Eça, já casado. Deve ter casado em 1571; a esposa chamava-se D. Maria de Melo e era de Viana.

Em finais de 1574, foi nomeado capitão-mor de Vila do Conde, prestando juramento do cargo em Fevereiro de 1575.

D. Maria de Melo morreu antes de 1585 pois neste ano Estêvão Ferreira de Eça já estava novamente casado, agora com D. Beatriz Pereira, de Guimarães.

Em 1586-1587, foi provedor da Misericórdia vila-condense, sucedendo a Gomes Carneiro.

 


“S(epultura) d’Estêvão F(errei)ra d’Eça. Faleceu a 9 de Novembro de 1590”. Convento de S. Francisco.

 

Está sepultado na coxia principal da Igreja de S. Francisco, devidamente identificado e com a indicação de que faleceu em 9 de Novembro de 1590. 

A capela em S. Francisco, em estilo certamente maneirista, tem abóbada em caixotões de granito. Dedicada originalmente a S.to António, uma imagem da Doutora da Igreja S.ta Teresinha de Lisieux ocupa agora o lugar mais destacado.

De acordo com o Nobiliário das Famílias de Portugal, Estêvão Ferreira de Eça teve do primeiro casamento apenas uma menina, que morreu em criança; do segundo teve duas filhas, a já mencionada D. Jerónima, sua herdeira, e D. Antónia de Eça. Mas teve ainda quatro bastardos: um de nome Francisco Ferreira, “que andou na Índia”, outro chamado Estêvão Ferreira, que foi sacerdote, D. Maria, freira em Vila do Conde, e D. Catarina de Castro, freira em S. Bento, no Porto.



Brasão do Cavaleiro Estêvão Ferreira de Eça na sua capela do Convento de São Francisco.



Mais sepulturas de Cavaleiros no Convento de São Francisco de Vila do Conde

Quando, no século XVI, o Mosteiro de São Simão da Junqueira foi temporariamente encerrado, três gerações de os senhores de Cavaleiros sepultaram-se no Convento de São Francisco de Vila do Conde

Além de Estêvão Ferreira de Eça, estão lá sepultados os seus pais, António Pereira e esposa, D. Joana de Eça, e a sua filha e marido, Jerónima Ferreira de Eça e Manuel Machado de Miranda.

 

António Pereira e esposa, D. Joana de Eça, pais de Estêvão Ferreira de Eça

Joana de Eça, nascida certamente pelo princípio do século, terá falecido cerca de 1560. Era filha do Martim Ferreira que mandou fazer o lintel que se encontra no Museu de Soares dos Reis.

O apelido de Eça vinha-lhe da mãe, D. Beatriz de Eça[1].

António Pereira, marido de D. Joana de Eça, era natural de Ponte de Lima.

 


S(epultura) de Ant(óni)o P(erei)ra e de Dona Joana d’Eça. 

 

 Jerónima Ferreira de Eça e Manuel Machado de Miranda

Nas primeiras décadas do séc. XVII, foi senhora de Cavaleiros D. Jerónima de Eça. Dela se conta que “casou por amores” (certamente em vez de casar por conveniência e arranjos patrimoniais...) com seu primo Manuel Machado de Miranda. Contra este, “veio uma alçada a Guimarães, na era de 1605, e ele foi degolado em estátua” (isto é, em efígie, por o não poder ser em pessoa, pois andaria fugido). “Mas depois tudo se sossegou e ficou fazendo vida com ela”.



Lápide da sepultura de D. Jerónima Ferreira de Eça e marido.



[1] Conta-se de D. Beatriz que, tendo enviuvado, casou com «Fernão de Magalhães, Senhor de Fornelos».



[1] Este casal teve um começo muito pouco edificante. A D. Jerónima, quando tinha talvez catorze anos, prepararam um casamento de conveniência, mas o seu primo Manuel Machado adiantou-se e raptou-a. Andaram fugidos à justiça e uma alçada chegou a degolá-lo em estátua, mas mais tarde os familiares de D. Jerónima acabaram por aceitar aquele casamento “por amores”.

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