Manuel Ferreira de Eça na sua Casa de Cavaleiros (segunda metade do século XVII)

Breve notícia biográfica

Manuel Ferreira de Eça (ou Manuel de Santiago Ferreira de Eça) tinha nascido em Guimarães, em 29 de Julho de 1661 e casou em Lisboa.  


Casa do Arco, em Guimarães, onde nasceu e faleceu Manuel Ferreira de Eça. Ostenta ao cimo o brasão dos Ferreiras de Eça.

 

Em 1685 ou um pouco antes, mudou-se para a sua Casa de Cavaleiros.

Por altura do seu primeiro baptizado outeirense, tinha vinte e quatro anos.

Era um homem activo: foi provedor da Misericórdia de Guimarães e capitão-mor (certamente do Regimento de Milícias). Mas foi também colaborador da Inquisição (“familiar do Santo Ofício”), o que era então muito honroso, cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real. E ainda lhe sobrou tempo para estudar e escrever como genealogista.

Faleceu em Guimarães em 1724, com 63 anos; a família abandonou então Cavaleiros.

Manuel Ferreira de Eça foi contemporâneo das obras da reconstrução do Mosteiro de São Simão da Junqueira.

Os seus avós paternos estão sepultados no Convento de São Francisco de Vila do Conde.


 

Baptismos dos filhos outeirenses

Em 11 de Junho de 1685, Manuel Ferreira de Eça, senhor da Casa de Cavaleiros, baptizou um filho em São Martinho do Outeiro. Veja-se o assento respectivo:

 


Ruína da Casa de Cavaleiros (esta fotografia já tem mais duma dezena de anos).

 

Aos onze dias do mês de Junho de mil seiscentos e oitenta e cinco anos, baptizou o Rev.do Abade Inácio Ferreira de Sá, nesta igreja de São Martinho, com minha licença, a António, filho do fidalgo Manuel Ferreira de Sá (sic), natural da vila de Guimarães e morador nesta freguesia, e de sua mulher, D. Francisca Benta de Távora, moradores na sua Quinta dos Cavaleiros. Foram padrinhos os fidalgos Gonçalo Lopes e sua mulher D. Jerónima, cunhado e irmã do dito Manuel Ferreira, moradores que são na vila de Guimarães. Por ser tudo verdade, fiz este (?), que assinei. Era ut supra.

O vigário Manuel Pinto Teixeira

  


Varanda que dava uma bela panorâmica para nascente da casa. As colunas, que eram seis, parecem ser de mármore. Este tipo de varanda era comum nas casas nobres e ajudaria a passar algum do monótono tempo aldeão.

 

Em 4 de Setembro de 1686, foi baptizado outro filho de Manuel Ferreira de Eça, a quem chamaram João. Oficiou o mesmo sacerdote e foram padrinhos os mesmos cunhado e irmã do senhor de Cavaleiros.

Aos quatro dias do mês de Setembro de mil seiscentos e oitenta e seis anos, baptizou o Rev.do Abade Inácio Ferreira de Sá, de licença minha, a João, filho de Manuel Ferreira de Eça e de sua mulher, D. Francisca Benta de Távora, moradores na sua Quinta de Cavaleiros, desta freguesia. Foram padrinhos Gonçalo Lopes de Carvalho e sua mulher D. Jerónima de Alarcão, moradores na vila de Guimarães. E, por ser verdade, fiz este assento, que assinei. Era ut supra.

O vigário Manuel Pinto Teixeira

Os padrinhos, tios da criança, vieram novamente de Guimarães.

Em 1 de Dezembro de 1687, Manuel Ferreira de Eça baptizou em São Martinho do Outeiro um terceiro filho, o Martinho. Oficiou ainda o mesmo sacerdote e foram padrinhos os mesmos familiares dos baptismos anteriores.

Um ano depois, foi a vez duma menina, a Catarina. Mas houve novidades quanto ao sacerdote que oficiou no baptismo e quanto aos padrinhos:

Aos vinte e três dias de Novembro de mil seiscentos e oitenta e oito anos, baptizou o Reve.do Abade Lixandre (sic) Lopes Lobo, de licença minha, a Catarina, filha de Manuel Ferreira de Eça e de sua mulher D. Francisca Benta de Távora, moradores na sua Quinta de Cavaleiros. Padrinhos: fidalgo Gonçalo Peixoto e seu filho João Peixoto da Silva, com procuração da madrinha, D. Catarina Luísa de Vilhena, religiosa no Convento de Vairão, e eles moradores na vila de Guimarães. (…)

O senhor de Cavaleiros tinha em Vairão três irmãs: a Catarina, que foi a madrinha da menina do mesmo nome, a Antónia e a Ana. Isso poderá até ter influenciado a sua vinda para Cavaleiros.








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